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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Abrindo as cortinas

Tenho medo de janelas.

Janelas abertas me dão medo de cair.
Janelas fechadas me dão medo de ficar presa.
Janelas altas me dão medo de simplesmente não aguentar e acabar fugindo.
Janelas baixas me dão medo de não conseguir ser profunda.

Janelas de vidro me dão medo da liberdade.
Janelas no campo me dão medo dos mosquitos.
Janelas na cidade me dão medo dos edifícios.
Janelas de banheiro me dão medo das pessoas.

E a janela dos olhos, dos sentimentos.

Janelas pequenas me dão medo desse sentimento claustrofóbico.
Janelas grandes, desse sentimento agorafóbico.

Janelas coloridas, da vida.
Janelas sujas, do esquecimento.
Janelas quebradas, da morte.

Eu tenho medo da morte.

E as janelas me fascinam.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Meia-idade

Todo tempo, o tempo inteiro
Bate e volta, o ponteiro
Vai e não volta, só sufoca
Todo o tempo sem parar.

Como o pêndulo balança,
A corrida da criança,
Gira e corre o carrossel
Ofega e para, sem ar.

E o que antes era ágil
Congelou, insano ardil.
Não importa, logo esqueço
Da memória pueril.

domingo, 13 de abril de 2014

Análise do discurso

Por quantos clichês nós somos formados?
Quantos adeus precisaremos dizer?
Por quantas brigas, em vão, passaremos?
Quantas vezes vamos querer salvar o mundo?
Por quantos lugares viajaremos, sem mesmo sair do lugar?
Quantos sonhos vamos deixar de sonhar por serem grandes demais?
Por quanto tempo ficaremos nos enganando?
Quanto deixaremos de fazer por medo?
Por quanto nos venderemos?


Quantas interrogativas teremos que fazer até que nos afirmemos?

domingo, 30 de março de 2014

Desabafo

Entenda, sempre haverá alguém que acha que é melhor que você só porque se sente pior que você. Sempre haverá alguém que te excluirá de um grupo minoritário que ela pensa fazer parte por achar que você pertence à maioria opressora. Invertem-se os papéis de opressor e oprimido, percebe?
Na verdade, nessa hora, ninguém lembra que- como seres humanos- somos todos minorias. De uma média de 4600 espécies de mamíferos no mundo, somos a única racional. A única passional. A única que se move por instinto e se defende atrás da racionalidade. A única que se incomoda com aquilo que deixaremos para trás quando não estivermos mais aqui. A única que se preocupa com aquilo que estamos fazendo, para quem estamos fazendo e como estamos fazendo. 
A única que luta pela causa de muitos, muitas vezes pensando em si. A única que acha que sempre há uma maioria opressora. Talvez poque seja mais fácil pensar que há, como uma mania masoquista de ter alguém mais forte acima de nós. Ou talvez porque assim podemos nos sentir especiais ao dizer: olha, sou minoria, sou diferente. 
Se ao menos pudéssemos enxergar que, no fundo, somos todos vestígios irrefutáveis do maior- e talvez mais belo- paradoxo que permeia a existência humana; aquele que diz que somos todos iguais, cada qual sendo intrinsecamente diferente do outro.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Globo de neve

Explicação? 
Pra quê?
É medo, só isso.
Medo dessa vastidão,
desse céu azul,
desses labirintos de oportunidades.
Medo de ficar só.

Saudade de casa.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Equilíbrio

Vai!
Como se fosse flor.
Como se fosse só.
Como se fosse valsa.

Vem!
Como se fosse amargo.
Como se fosse bom.
Como se fosse tango.

Vê!
Como brincam no balanço-
inconsequentes-
passado e futuro.

Como se fossem um.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Cosmopolitan

Um brinde à chuva ácida,
aos para-raios,
e aos guarda-chuvas coloridos.

Um brinde aos fones ensurdecedores,
às poças de água,
e aos taxistas mal educados.

Um brinde ao meu bairro,
minha Villa,
e à minha cidade querida.

Um brinde à felicidade, que existe!,
sempre suave, 
sempre quente.

Discussão

Grita como se entendesse;
Acena como se fizesse sentido;

[mas não é suficiente.]

Entenda,
para uma flor fragilizada, 
qualquer garoa é tempestade.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ansiedade

De vez em quando dá saudade, verdade!
Deve ser vaidade,
pura insanidade!

 Uma rima boba do coração.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Visita

Olhando da varanda vi meu passado chegando de pés descalços
Ele deixa um fardo ao pé da escada:
um beijo
desconfianças
flores
esperança.
Sai chutando as pedrinhas do caminho,
aponta pro céu e dá risada
(como se só as nuvens pudessem nos reconhecer como um só).
E vai como se não me reconhecesse.